quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Tangíveis e intangíveis

Eu gosto das suas mãos em mim, das suas mãos no mouse, das suas mãos em tudo. Das suas mãos de artista cheias de robustez e delicadeza. Gosto da maneira cuidadosa com que faz tudo, você lida tão bem com cabos que me dá inveja. Conecta um com o outro e pronto! Enquanto eu ainda estou me atrapalhando pra trocar as pilhas do controle remoto. “Deixa que eu faço”, detesto quando diz isso, me salvando das minhas duas mãos esquerdas. É sempre uma mistura de ódio com alívio. Você corta a pizza, você é melhor que eu pra isso – eu admito. Tem um cuidado pras coisas que a minha natureza desastrada não tem, quem dera ter. Acho que nos completamos bem assim, enquanto eu contenho as águas dos buracos da alma, você coloca o lixo pra fora – literalmente!  Enquanto eu fico fazendo reflexões pra escolher um filme, me demorando com aquelas brincadeiras de “vai lá, vou fechar o olho o que escolher tá escolhido”, faço mil vezes até eu escolher de verdade – enquanto isso – você já abriu as cervejas, pediu a comida e está sentado, pacientemente, me esperando fazer qualquer coisa simples que eu sempre insisto em levar horas. Mas sabemos que o meu cuidado detalhado nos protege de muito e a sua praticidade resolvida também. Afinal, o que seria do sol objetivo sem toda aquela bagunça de cores do entardecer? (Mani Jardim - trecho de A Fresta de Minha Fossa Abissal)