terça-feira, 12 de agosto de 2014

O CONTO DO PALHAÇO TRISTE




Ontem, quando soube da notícia da morte do ator Robin Willians, ou melhor, quando eu soube da forma como o ator morreu (porque a morte choca, mas é uma condição da vida, já a maneira como ela vem é que nos deixa realmente surpresos), fiquei assustada. Acredito que 90% das pessoas o associavam a um sentimento bom, de amor e, sobretudo de alegria. Li muitas mensagens: “seus personagens me trouxeram tanta felicidade...”. Mas por algum motivo a alegria que transmitia não era suficiente para si mesmo. É como o conto do palhaço triste ou como o ferreiro que em sua casa utiliza apenas espetos de pau. É complicado. Todavia, ao que me parece, a sociedade está caminhando para uma “versão inversa do seu verdadeiro eu”. Pior ainda do que o autor que pelo menos foi sincero em muitas declarações, mas caminhando para o mesmo fim, a sociedade do espetáculo, que deu origem à sociedade da exposição, abastece constantemente seus aparatos com sorrisos, pratos formidáveis, paisagens estonteantes... é tanta “felicidade” que parece não caber nas timelines das redes que se multiplicam a cada dia. O dia ruim, o ponteiro da balança que subiu, a tristeza sem motivo, o desapontamento que soa como soco no estômago – não estão lá. Mas onde estão? Não existem? É como se houvesse um slogan oculto dizendo: “publique seus momentos felizes e se não houver interprete-os”. Esses dias uma amiga postou uma foto sorrindo com uma frase de absoluta felicidade, apenas uns poucos, mais próximos, sabiam que na verdade ela estava vivendo um momento de profunda tristeza. Mas será que camuflar tristeza com felicidade, alegrar a plateia a qualquer custo – ignorando o momento de reclusão é saudável? Sim eu sei da Lei da Atração, sei que dizer coisas boas atrai coisas boas, mas será que, às vezes, um simples pedido de ajuda não divide o interim entre a vida e o suicídio? 

(Mani Jardim)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Vendi artesanato, poesia, malabares e voltei rica...



Sabe, acho engraçado quando as pessoas dizem acanhadas: “Você morou na rua, né?”; “Você era hippie e foi embora um tempo” ou “Me contaram de você”. A melhor de todas eu ouvi ontem, mas... Enfim. Sim, eu fui embora um tempo... E me orgulho por cada momento que vivi, eu dormi na rua – sim - quando precisei, dormi no meio do pantanal e em bibocas na Bolívia. Aprendi a montar uma barraca rapidamente porque ia escurecer e a desmontá-la mais depressa ainda. Aprendi, com o meu 1 metro e meio, pular na carroceria de caminhões gigantes pra não perder a carona, aprendi que onde não tem farmácia a natureza revela ser a verdadeira mãe da medicina, aprendi  que café de ribeirinho é o mais gostoso que tem, que gente humilde acolhe, dá comida, dá carinho e dá sorriso. Aprendi que de fome eu não morro, que de frio eu não morro e que onça não avança se não for incomodada. Vendi artesanato, poesia, malabares e voltei “rica”!
Pedalar parte do Brasil me fez aprender muita coisa que carrego com orgulho no meu coração. Aprendi que as orações da minha mãe são tão fortes que guardiões, pessoas boas, anjos de Deus são colocados no meu caminho. Aproveito pra agradecer a uma amiga especial que conheci em Cuiabá me que me levou pra casa, ofereceu banho, comida e uma amizade que será eterna. Obrigada, Érica. E a tantos outros que não tive a oportunidade de manter contato. Sim, gente fui eu mesma... e não precisa ficar com medo de tocar no assunto, falar por beiradas, eu falo com orgulho, tiro dúvidas, podem ficar à vontade, sem drama :)