quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Constituição de 1988 regulamentada!

Ontem a Câmara aprovou o projeto que exige valor dos tributos na nota fiscal. Oprojeto surgiu a partir de 1,5 milhão de assinaturas e prevê que nove tributos sejam discriminados na nota. Justo? Ao todo, deverão ser discriminados nas notas fiscais nove tributos: ICMS, ISS, IPI, IOF, IR, CSLL, PIS/Pasep, Cofins e Cide.Como já foi aprovada no Senado, a proposta segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Augusta! Me Gusta!

Gostei muito da iniciativa, meu espacinho favorito em São Paulo vai ser agraciado com incrível intervenção artística.
A terceira edição do Vídeo Guerrilha vai preencher as fachadas da rua Augusta com fotos, vídeos, gravuras e projeções. Entre os dias 22 e 24 de novembro, 14 fachadas e paredes de prédios localizados entre as ruas Fernando de Albuquerque e Marquês de Paranaguá receberão projeções, animações e fotografias que abrangem o trabalho de mais de 100 artistas do Brasil e do mundo.

Vão estar presentes obras de artistas russos, cubanos, espanhóis, italianos, peruanos, indianos, franceses, argentinos, mexicanos, colombianos, noruegueses, chineses, canadenses, americanos e brasileiros. A proposta do evento é promover um intercâmbio artístico, cultural e profissional, dando, ainda, oportunidade para trabalhos de jovens talentos e estudantes.

O Vídeo Guerrilha está em sua 3ª edição e, em 2011, foi o vencedor do prêmio “Melhor Iniciativa Cultural em Artes Visuais”, Concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Mulheres

Em sua campanha o fotógrafo David Jay mostra o corpo de mulheres após um tratamento de câncer. Para ele, é necessário fazer um tipo de trabalho como este. “Eu não vou mostrar apenas metade da história – que tudo vai ficar bem e essas meninas têm câncer de mama”, afirma. *Particularmente, achei fantástico!

“Retiro-me do centro, reflito sobre as flores sintéticas do jardim. Lembro-me que, bem no fundo, sou apenas uma testemunha. Retorno e olho novamente, mas, desta vez com olho mágico. Concluo. No interim minha impaciência inerente à minha força bruta grita: Hacia! Adelante! (...)”

(Mani Jardim – A Fresta de Minha Fossa Abissal)

“Ressinto-me de minha rebeldia, de minha revolta gratuita. Sou assim desde pequena, o bebe que não aceitava presilhas no cabelo. Cuja primeira palavra foi um sonoro e pontual: NÃO! Sei que preciso aprender a lidar com as cortinas da vida, mas minha terapia evolui “a passos de formiga e sem vontade”, porque gosto de ir parando no caminho. Eu que já personifiquei admito a minha sensibilidade excêntrica, mas, acima de tudo, a minha ambição espiritual. Gosto de fidelizar sensações e escrevo para dizer que não me canso. Escrevo para afirmar, de forma cansativa, a minha persistência em ser incansável. As palavras que saem de mim não são verdades absolutas, não são teorias cientificas capazes de resolver equações complexas, tampouco trazem a cura de qualquer cólera vagabunda. Não! São sentimentos em ebulição, em busca de uma simbiose qualquer. Para o outro talvez sejam palavras sem a menor inter-relação, mas- para mim- são sangradas da alma. Reagem ao meu entusiasmo, transformam o meu exterior e me eternizam. São minhas estalagmites e estalactites, expressões abstratas que definem e decoram minha caverna interior. Nelas afirmo minha independência, o meu guidão condutor (...)”

Liquidificador

"Misturei meus sonhos e desprazeres, bati a mistura no liquidificador de minha mente e bebi os conselhos que insisti em ignorar. Sozinha, consenti que tapei-me pra verdade durante anos." (Mani Jardim)

Cores

Destilei tons pastéis em cores vibrantes, dei contraste.
Curiosa, adicionei açúcar mascavo, mel e limão e criei novos sabores.
Insatisfeita, lambuzei as mãos e os lábios e rolei no chão vazio.
Tornei-me a obra, a moldura e o quitute.
Escrevi palavras para também ser prosa.
Entoei as mesmas com melodia para também ser música
Com um espelho refleti a luz do sol em mim para poder brilhar
Voltei o mesmo para os meus olhos para me duplicar
Fui imensidão, infinita, prazeres e desprazeres.
( Mani Jardim)

Nunca Mais

As atuais implantações colocam em pauta assuntos de resgate. Sem dúvida, o País está diante de seu momento de glória. O “merthiolate”aplicado sobre velhas feridas desfaz amarras importantes, que esquecidas, foram capazes de corroer silenciosamente o nosso sistema. A morosidade deu lugar à ação, que propõe uma nova política alicerçada em propostas combativas e menos covardes.
A começar pela plausível decisão do Supremo Tribunal Federal, que aprovou a constitucionalidade de cotas para negros no ensino superior. A atitude nos permitiu sair do lugar comum, livrou-nos do rótulo de democracia de desiguais e deu passos importantes rumo à igualdade e justiça.
De volta aos trilhos da racionalidade, assistimos a outra importante vitória. A recente nomeação dos integrantes da Comissão da Verdade firmou a consolidação de uma proposta corajosa, que faz justiça ao passado e resgata a história do País.
A certeza de que só se vence uma guerra estando nela nunca foi tão priorizada em nossa história. Preparados ou não, nos próximos anos estaremos no alvo. A ascensão econômica aliada ao posicionamento estratégico e às recentes conquistas são dilemas que também exigem da população uma maturidade muito maior. O velho conselho de mãe nunca nos vestiu tão bem, o alertar de que quanto mais poder se tem, mais responsabilidade se adquire nunca latejou tão forte em nossas veias.
Convencida a esticar o resgate referido ao universo cultural, aponto a “nova paixão musical” da juventude como importante sinalizador dessa teoria. A observável valorização do rap, o conceito atinge hoje uma autonomia jamais imaginada. Seu público “é todo mundo” e sua voz agora canta em todas as casas, sem limites sociais.
Diante de um cenário favorável e de ouvidos menos preconceituosos é que um dos maiores porta-vozes da periferia, Mano Brown, reforça a aceitação do momento e apresenta seu novo trabalho “Marighella”,a música homenageia o guerrilheiro morto na ditadura, Carlos Marighella e seu clipe será gravado na Ocupação Mauá.
Repare a semelhança dos fatos: cotas raciais, Comissão da Verdade, economia acessível, ascensão do rap, Mano Brown, Carlos Marighella e ditadura.
A contestação é inevitável. Estamos diante de um cenário que privilegia a reparação dos estragos do passado. Finalmente, podemos afirmar que vivemos em um País cuja história é valorizada, em um País cujos ídolos não são mais importados. Somos uma nação que ao afirmar sua conquista econômica afirma também sua conquista histórica e cultural.
(Mani Jardim)